Blog do Semy Ferraz


07/07/2015


A minha filiação ao PSOL

Semy Ferraz (*)

Depois de trinta e cinco anos de participação na militância do Partido dos Trabalhadores (PT) desde a sua fundação, em janeiro de 1980, passo a integrar o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com a consciência do dever cumprido e sem ter aberto mão dos princípios e valores éticos pelos quais sempre lutei.

Aliás, a opção pelo PSOL decorre de minha convicção de que hoje é essa a trincheira de luta democrática, da defesa intransigente do Estado de Direito, bem como da cidadania, dos direitos dos trabalhadores, dos idosos, das crianças e adolescentes, da juventude, dos estudantes, dos aposentados, dos desempregados, dos excluídos, dos índios, dos negros, das mulheres, dos homossexuais, dos despossuídos, dos sem-terra e dos sem-teto.

Sou testemunha do papel histórico desempenhado pelo PT durante a luta em defesa das liberdades democráticas e, sobretudo, durante e depois da redemocratização do país, seja na Assembleia Nacional Constituinte, nas emblemáticas conquistas de direitos individuais, sociais, coletivos e difusos, como em votações históricas, na aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, da Lei Orgânica da Saúde, da Lei Orgânica da Assistência Social, do Código de Defesa do Consumidor, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, do Estatuto do Idoso, do Estatuto da Cidade, da Lei da Natureza, da Lei Maria da Penha, da Lei da Igualdade Racial, da Lei das Cotas, da Lei do Empreendedor, da Lei da Empregada Doméstica, da Lei do Marco Civil da Internet, entre tantas outras não menos relevantes para a conquista de uma sociedade mais justa e solidária.

Ter integrado a militância do Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação é, para mim, motivo de honra e de regozijo. Aliás, a militância do PT é, indiscutivelmente, um patrimônio da democracia brasileira. Depois de mais de três décadas, estar fora do partido que ajudei a fundar me causa uma profunda consternação. Mas há algum tempo já havia perdido a identidade com o maior partido da esquerda da história do Brasil: a direção nacional e regional do PT, envolvidas numa série de escândalos, têm deixado se submeter à chantagem dos setores fisiológicos dos partidos que estão na base de sustentação do governo e da direita raivosa que tem acuado a Presidenta Dilma Rousseff, como o próprio Presidente Lula já deixou explícito.

Como homem de esquerda, sou um intransigente defensor das conquistas e do sentido histórico dos últimos quatro mandatos populares, democraticamente eleitos pela população brasileira. No entanto, não admito nem justifico ver a Presidenta Dilma refém de verdadeiros meliantes da política, quando acaba de ter renovado democraticamente o seu mandato, com lisura e total transparência. É repugnante o discurso calhorda dos pseudodemocratas de ocasião, de que ela teria praticado um “estelionato eleitoral” (logo dito por aqueles que se beneficiaram do verdadeiro estelionato eleitoral de 1986, quando das eleições em plena efervescência do Plano Cruzado, políticos que hoje estão espalhados em legendas como o DEM, PPS, PSDB, PSB, PMDB e PTB).

Ao contrário da senadora por São Paulo, eleita e reeleita no PT desde que se iniciou na política, sou levado a tomar esta dura decisão por única e tão-somente continuar a lutar pelos mesmos objetivos de sempre: aprofundar a democracia popular e participativa no Brasil, abolir as injustiças sociais em todos os níveis, superar o abismo social que separa dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras e promover políticas efetivas de distribuição real da renda em nosso país, compromisso abandonado pelo atual governo, depois que uma horda de meliantes passou a coabitar em seu seio – fato ocorrido tristemente em nosso estado, como a nomeação  para o Ministério dos Transportes do homem forte do ex-governador,  verdadeiro inimigo do PT, que hoje desfruta de um cargo de confiança no Planalto. E, pasmem, ocupa o cargo com a maior cara de pau.

Aliás, um ex-governador de triste memória para a recente história de Mato Grosso do Sul.

 

(*) Semy Alves Ferraz é engenheiro civil, ex-deputado estadual e ex-secretário de Infraestrutura, Habitação e Transportes de Campo Grande.

Escrito por Semy às 09h01
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