Blog do Semy Ferraz


10/09/2009


EM PAUTA – ELEIÇÕES EM MS: A TERCEIRA VIA

A disputa entre André e Zeca

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, apesar da euforia inicial de alguns petistas, é um adversário muito difícil de ser batido.
As últimas pesquisas demonstram que, ao contrário do que muitos petistas imaginavam, Zeca não está tão bem assim...
Está distante de André e tem um índice de rejeição bem maior.
Portanto, não obstante toda a eloqüência e destemor do ex-governador, uma parada difícil, onde o favoritismo é todo do atual governador.
Some-se a isso, o atual quadro político, que coloca o Partido dos Trabalhadores numa situação delicada, com o visível declínio da pré-candidata Dilma Roussef, que começa a ganhar uma fama extremamente incômoda: mentirosa.

Puccinelli e seus adversários
Puccinelli sabe ser implacável com seus inimigos. Sabe usar as armas que tem para aniquilar.
Sabe também bater e depois afagar, se for o caso e se for conveniente.
Faz política profissional.
Sabe ser dissimulado, quando necessário.
E tem uma equipe competente e de sua extrema confiança, o que em política é fundamental.

Puccinelli Prefeito
Em Campo Grande, como chefe do executivo municipal, André Puccinelli governou durante oito anos sem praticamente ter oposição.
No primeiro mandato, apenas uma voz se insurgia com mais veemência. O então vereador Athayde Nery de Freitas Junior.
Athayde não conseguiu se reeleger e só voltou ao cenário político convertido ao “andrezismo”, a ponto do governador afirmar a alguns amigos: “No PPS (partido de Athayde) eu mando”.  
Um outro vereador, também ousou se insurgir contra André Puccinelli: César Disney.
Eleito pelo PSDB, o então braço direito de Waldir Neves, hoje conselheiro do TCE, teria visto na possibilidade de atacar Puccinelli, um meio de melhorar de vida.
Teve sua carreira política simplesmente defenestrada.
Por coincidência, na época do embate, foi pego em flagrante em práticas sexuais com menores de idade, foi preso e depois cassado.
Mais tarde, destruído, entrou em depressão até ser acometido por um câncer.

Puccinelli Versus Antonio João
O ex-proprietário de um dos maiores grupos de comunicação da região Centro Oeste, o jornalista e suplente de senador Antonio João Hugo Rodrigues, também ousou se apresentar como adversário de Puccinelli.
Atualmente, o poderio empresarial de Rodrigues está reduzido a um pequeno numero de cotas do jornal Correio do Estado.
Na briga perdeu ainda o controle de duas emissoras de televisão e de algumas rádios.

O Grande Adversário
Mas talvez, nenhum destes tenha sido o adversário mais difícil enfrentado por André Puccinelli.
Um deputado eleito em 2002 pelo PT, Semy Ferraz, homem que, como André, é extremamente ligado em pesquisas, organizado e inteligente, ainda hoje é uma enorme pedra no caminho do “italiano”.
Em 2006, candidato a reeleição, tida como certa, Semy, a véspera do pleito, teve um suposto veiculo da sua campanha apreendido com santinhos grampeados a cédulas de vinte reais.
O fato teve enorme repercussão e Semy acabou perdendo a eleição.
André venceu o primeiro round.

O Segundo Round
O ex-deputado foi buscar recuperação lá no Acre, onde, competente, foi convidado para ocupar um cargo na administração petista daquele estado.
Mesmo assim deu inicio ao segundo round, tentando provar na Justiça sua inocência com relação ao episódio mencionado que acabou lhe valendo a derrota eleitoral.
Semy foi inocentado e, pior, baseado em escuta telefônica autorizada pela Justiça, onde a voz do governador Puccinelli teria sido identificada como mandante daquilo que teria sido uma armação para incrimina-lo, já entrou com representação criminal contra o governador e seu filho, André Junior, que teria sido a pessoa encarregada de operacionalizar a maldade...

O Próximo Embate
Atualmente, diretor da empresa de águas do Acre, Semy Ferraz está próximo da ex-ministra Marina Silva.
Com a ida de Marina para o PV, já existe toda uma movimentação no sentido de fazer Semy o “candidato verde” de Mato Grosso do Sul.
Bem articulado, vitima de André e com decisões judiciais na mão, o ex-parlamentar pode ser embalado por uma “onda Marina” e se constituir numa grande surpresa eleitoral.
Vamos aguardar.

Millôr de Morais Fonte: http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?CodArtigo=1369

 

Escrito por Semy às 22h04
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07/09/2009


MARINA SILVA

Do pré-sal ao pós-carbono

A DESCOBERTA do petróleo no pré-sal e suas consequências para o Brasil são assuntos de enorme importância, mas estão sendo discutidos de maneira que mais confunde do que esclarece.
Os recursos advindos dessa descoberta deveriam ajudar o país a construir os meios para a superação, ao longo do tempo, da dependência das energias fósseis e do modelo de desenvolvimento que elas simbolizam. Que produz bens e riqueza material e também pobreza extrema, degradação dos recursos naturais, poluição, doenças.
E se escora em razões que parecem se bastar, sem levar em conta que tornam praticamente inalcançável, para a maioria das pessoas, uma vida digna e saudável.
É absurdo não perceber que a nova fonte de petróleo, que ainda será estratégico e indispensável por décadas, deveria servir ao propósito inovador de criar as condições de trânsito para aquilo que se mostra cada vez mais inescapável: uma economia de baixo carbono e uma sociedade pós-ideologia do consumo.
Para chegar a esse futuro, é fundamental entendermos hoje como as prioridades se relacionam. Tomemos a educação no Brasil. Precisa estar no topo das prioridades, não apenas para ser um sistema mais eficiente do ponto de vista tradicional, mas, sim, para colocar crianças e jovens em diálogo com os novos paradigmas que serão a marca deste século. Por sua vez, isso depende de pesquisa científica e tecnológica para o desenvolvimento de novos materiais, fontes de energia renovável e práticas produtivas baseadas nos amplos recursos naturais de que o Brasil dispõe.
Nessa nova sociedade, a redução da pobreza e das desigualdades sociais será objetivo indissociável da educação de qualidade, da capacidade tecnológica, da sustentabilidade socioambiental, venham os recursos de onde vierem.
O ufanismo com os números do pré-sal não pode jogar para debaixo do tapete a necessidade de mitigar a emissão de carbono, ampliando o combate ao desmatamento e os programas de reflorestamento.
A novidade, a rigor, só aumenta nossa responsabilidade ética em propor metas obrigatórias de emissão de carbono em Copenhague, no final deste ano. Pré-sal e o papel do Brasil em Copenhague não são assuntos estanques. São a mesma equação, embora a discussão em curso não reflita isso.
O desenho de um novo Brasil não pode estar contido na camisa de força da tramitação em regime de urgência do marco legal do pré-sal, feita para contemplar cronogramas políticos e sem a participação da sociedade, essencial porque estamos numa democracia e porque as questões reais precisam ter, pelo menos, chance de vir à tona.

contatomarinasilva@uol.com.br


MARINA SILVA escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Fonte: Folha de São Paulo - 07/09/09

Escrito por Semy às 08h27
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