Blog do Semy Ferraz


30/04/2009


O que virou esta ação na Justiça Federal?

MS: governador é denunciado por improbidade

31 de janeiro de 2007 • 21h14 • atualizado às 21h25

Graciliano Rocha
Direto de Campo Grande

Brasil

 Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça nesta quarta-feira com ação por improbidade administrativa contra o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), e pediu a devolução de R$ 3,9 milhões. A acusação envolve outras sete pessoas com o suposto superfaturamento de uma obra em 2002, quando Puccinelli era prefeito de Campo Grande. O governador não quis se pronunciar sobre o caso.

A denúncia do MPF refere-se à urbanização do córrego Bandeira, onde a Controladoria Geral da União (CGU) apontou indício de superfaturamento. A Engecap, empresa contratada para fazer uma parte da obra, estava em nome de dois garis da prefeitura que foram usados como "laranjas" pelo empreiteiro Eolo Ferrari, verdadeiro dono da empresa. De acordo com o MPF, há irregularidades também no contrato, já que a Engecap não foi vencedora da licitação para tocar a obra. O contrato da Engecap foi suspenso depois da divulgação do caso.

Ferrari e o então secretário de Obras da prefeitura, Edson Girotto, e mais cinco funcionários do Ministério da Integração Nacional, responsáveis por fiscalizar a obra, também foram denunciados.

Procurado, o governador André Puccinelli disse, por meio de sua assessoria, que não se pronunciará sobre a denúncia por não ter sido notificado. Edson Girotto e Eolo Ferrari não foram encontrados pelo Terra para comentar o indiciamento.

Condenação
Na última sexta-feira, o governador foi condenado em primeira instância por irregularidades em sua gestão na prefeitura. O juiz Dorival Moreira dos Santos, da Vara de Direitos Difusos de Campo Grande, condenou Puccinelli, a empresa Águas Guariroba e a empreiteira Cobel Construtora de Obras e Engenharia (integrante do consórcio que criou a Águas de Guariroba) por irregularidades no pagamento da concessão dos serviços de água e esgoto na cidade em 2000.

O juiz considerou ilegal que a prefeitura tenha aceitado parte do pagamento da concessão (R$ 417 milhões no total) na forma de obras ao invés de dinheiro e condenou os réus a devolver R$ 83,4 milhões mais correção de 0,5% ao mês. Ainda cabe recurso à decisão.

Fonte: Redação Terra www.terra.com.br

Escrito por Semy às 11h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

29/04/2009


UM BRASILEIRO PARA SER LEMBRADO

Marina Silva

Neste ano o Brasil comemora o centenário do nascimento de Dom Helder Câmara. Comemora? Nem tanto, pois a melhor comemoração seria o conhecimento das novas gerações sobre a obra humana e política deste homem franzino, bem humorado, doce, gentil e firme, que fez enorme diferença na história do país, durante os anos da ditadura. E muitos jovens sequer ouviram falar dele. Esta é minha colaboração para que se interessem e busquem saber mais sobre a vida e o pensamento de um brasileiro que, mesmo não estando mais entre nós, ainda pode nos inspirar.

Dom Hélder lutou pela justiça, pelo retorno das liberdades democráticas e, principalmente, pela solidariedade ativa com os pobres e oprimidos. Foi perseguido e, depois do AI-5, até mesmo seu nome não podia ser citado nos meios de comunicação. Acusavam-no de comunista e lhe deram o apelido de "Arcebispo Vermelho", ao que ele tranquilamente respondeu: "Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista." Ele pregava que a pobreza não resulta da indolência, mas de estruturas injustas. Costumava dizer que não se pode acusar quem tem sede de justiça: "no Nordeste, Jesus Cristo se chama José".

O que ele fez, na verdade, foi assumir radicalmente o que considerava sua missão como cristão. Foi um dos mais importante líderes religiosos brasileiros. Seu lema era a opção preferencial pelos pobres, uma das resoluções do Concílio Vaticano II (1962/1965), que renovou as práticas da Igreja Católica e abriu as portas para a intervenção social de padres e fiéis.

Nomeado arcebispo de Olinda e Recife, em abril de 1964, Dom Helder passou a ser malvisto pelo regime militar, por suas denúncias de violação de direitos humanos e pelo seu trabalho com movimentos populares. Criou as famosas Comunidades Eclesiais de Base, das quais tenho muito orgulho de ter feito parte e de ter iniciado minha participação política dentro delas, ao lado de pessoas como o Bispo Dom Moacyr Grecchi, que é referência para toda a Amazônia, como sinônimo de luta pela democracia, pela liberdade e pelos direitos humanos.

Por sua postura e prestígio internacional, Dom Hélder foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, no início dos anos 70, e o então presidente Médici chegou ao cúmulo de mover campanha de bastidores contra a sua candidatura, mobilizando a diplomacia brasileira para promover um boicote junto ao governo da Noruega.

Mas por que era tão odiado e perseguido? Porque nunca permitiu que o calassem e sempre tomou atitudes desafiadoras e criativas. Em maio de 1969, um de seus principais assessores, Padre Henrique, foi sequestrado, torturado e assassinado. No dia seguinte, Dom Hélder reuniu dez padres e outras dez mil pessoas para acompanhar o cortejo até o cemitério, a quase 15 quilômetros de distância, no outro extremo da cidade de Recife.

Cristóvam Buarque certa vez o chamou de "santo rebelde". Santo porque levava conforto e carinho aos mais miseráveis; e rebelde porque, ao mesmo tempo, gritava contra as injustiças e queria fazer uma revolução que erradicasse os males da pobreza. Diferentemente de outros santos, ele não se conformava apenas em ajudar aos pobres, e diferentemente de outros rebeldes, cuidava dos necessitados enquanto a revolução não vinha.

Dom Hélder foi uma pessoa que sempre me emocionou. Apesar de ter formado meu pensamento social com influências marxista e socialista, o que mais me encantou, e que constitui a base da minha ideologia, é o Cristianismo. Na Bíblia, encontrei respostas para a necessidade de lutar pela justiça, para repreender a ganância dos poderosos. E Dom Hélder, acima de diferenças de credo religioso, foi um exemplo, um estímulo e uma demonstração do caráter revolucionário do cristianismo, quando o entendemos como um guia para agir no mundo. Segundo ele, "o verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus."

Ele viveu a misericórdia e o amor exatamente como Cristo disse: "Quando estava preso, tu me visitaste". E ele visitou muitos presos nas prisões da ditadura. "Quando estava faminto, tu me alimentaste". E ele alimentou muitas crianças famintas do Nordeste e por onde passou. E disse mais ainda: "Quando sentia frio, tu me acolheste; quando faltou a verdade, tu me disseste a verdade." E aí alguém perguntou: "Mas quando, Senhor, nós te fizemos isso?" E Jesus respondeu: "Sempre que fizestes a estes pequeninos, ao mais insignificante deles, a mim o fizestes."

Todas as pessoas que estão além do seu tempo passam a ser maiores do que foram no seu tempo, porque cada um de nós, de certa forma, as traz impressas nos seus sonhos e ideais. Dom Hélder tinha esperança de encontrar enormes surpresas na outra vida: "vamos descobrir, um dia, que Deus é muito mais humano que os homens."

Quando morreu, em 1999, o povo pernambucano acompanhou a pé o seu caixão, por duas horas, até o local do enterro, em Olinda. Foi homenageado no mundo inteiro, por personalidades e líderes políticos, que o chamaram de sábio e de grande humanista. Mas a frase a seu respeito de que mais gostava era uma que lhe disse um menino de Olinda, após assistir o filme ET: "ele é feio e bonzinho, assim como o senhor".

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

Escrito por Semy às 09h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]
 

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Norte, RIO BRANCO, ABRAHAO ALAB, Homem, de 46 a 55 anos

Histórico