Blog do Semy Ferraz


25/12/2008


poema da noite

Poema de Natal - Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

 

Vinicius de Moraes, poeta e diplomata na linha direta de Xangô. Saravá! No poema acima temos retratado aquele que, para muitos, é um evento triste. Extraído do livro "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147. Conheça a vida e a obra do autor em "Biografias".

Escrito por Semy às 11h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

KENNEDY ALENCAR

Cuba libre

BRASÍLIA - O fim do bloqueio americano a Cuba é parte da estratégia brasileira para fortalecer sua liderança na América Latina. Ao fazer apelos a Barack Obama para encerrar o embargo à ilha caribenha, Lula mira sobretudo vizinhos do barulho, como o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Corrêa e o venezuelano Hugo Chávez.
Um gesto do novo presidente americano em relação a Cuba desarmaria espíritos. Tiraria gás do espírito antiamericano turbinado pelos oito anos de George W. Bush. Daí a aposta do governo brasileiro, vista por muitos como uma injustificada defesa de uma ditadura.
Para início de conversa, convém cobrar que Cuba pare de desrespeitar direitos humanos, libertando presos políticos e deixando de sufocar a oposição. Lula tem dado conselhos reservados para que Raúl Castro, sucessor do irmão Fidel, caminhe nessa direção. No entanto, a falta de liberdade em Cuba não é motivo razoável para sustentar um embargo criado em 1962.
Os EUA mantêm em Guantánamo uma máquina de tortura que afronta todo o sistema jurídico internacional. Afronta valores fundacionais do grande país que os EUA são. A doutrina de combate ao terror de Bush, além de equivocada, porque invadiu um país errado pelos motivos errados, é tão recriminável sob a ótica dos direitos humanos quanto a ditadura castrista.
Sustentar o bloqueio reforça o discurso Davi contra Golias que o regime usa para estimular a "resistência psicológica" da população. O fim do embargo reduziria a dependência dos petrodólares de Chávez e geraria uma prosperidade eficaz para democratizar Cuba.
O fim do embargo não é esquerdismo romântico. Obama tomaria um decisão de estadista, acabando com algo que prejudica mais o povo do que o governo. Fortaleceria na América Latina a liderança do Brasil, um aliado maduro. Começaria 2009 à altura de seus desafios.

 

Feliz Natal a todos!

Publicado no Jornal Folha de São Paulo - 25/12/2008

Escrito por Semy às 10h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]
 

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Norte, RIO BRANCO, ABRAHAO ALAB, Homem, de 46 a 55 anos

Histórico